• Matheus Oliveira

Holanda, o modelo de agricultura sustentável.

O desenvolvimento visionário da agricultura holandesa buscará solucionar o problema da fome mundial?



Como a Holanda conseguiu se tornar uma potência agrícola mundial?


Com um alto nível de tecnologia e um sistema de produção baseado em estufas, a Holanda passa a ser uma referência mundial no quesito agronegócio. A busca pela diminuição do desperdício de água, redução no uso de pesticidas e aumento de produtividade.

Segundo a revista Exame, a Holanda conta com uma área 205 vezes menor que o Brasil, mas isso não a impediu de ser a segunda maior exportadora agrícola do mundo no ano de 2019, foram arrecadados mais de 110 bilhões de dólares, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que por sua vez tem 270 vezes o tamanho da Holanda. Como base de comparação a Holanda em quilômetros quadrados caberia dentro do estado do Rio de Janeiro, já a parte aproveitável para a agricultura soma pouco mais de 10.000 quilômetros quadrados, cerca de metade da área de Sergipe (menor estado brasileiro).

O que fez a Holanda se tornar um polo mundial de agricultura sustentável?


Segundo o canal Razão Econômica, até o ano de 1965 as empresas de tecnologia dominavam a economia da Holanda e atraíam toda a atenção dos outros setores. (Até esse momento o agronegócio e os outros setores foram deixados de lado). Somente no ano de 1970, quando os fazendeiros holandeses por meio dos sindicatos e organizações exigiram mudanças e mais atenção para o setor. Diante dos protestos dos fazendeiros, o governo da Holanda começou a organizar a “Revolução Verde" dentro do país.

A Holanda rejeitou a ideia de aumentar os subsídios no país, pois o objetivo era fazer com que sua agricultura fosse realmente competitiva com o mercado mundial, no entanto, eles tinham um enorme problema: a área cultivável de seu país - Uma das menores da Europa - Diante desse problema, a solução encontrada foi aumentar a produtividade e qualidade conjuntamente fazendo com que o país passasse a ter uma agricultura sustentável para incrementar um valor agregado ao alimento, reduzir desperdícios e diminuir os danos ao meio ambiente.

Para o aumento da produtividade agrícola a única solução seria a tecnologia, “lembrando que a Holanda era um polo tecnológico até a década de 70”. Sendo assim, a Holanda aumentou o orçamento destinado às faculdades de agricultura do país (cerca de 70% de toda a sua receita) com o objetivo de financiar o ensino superior agrícola. Diante de todo esse investimento, o país conta com a melhor universidade do mundo na área de agricultura (Wageningen) é considerada uma das responsáveis por tamanha inovação na área.

Conforme a revista Época, a universidade Wageningen contribuiu para a criação de um “Food Valley” assim como, Stanford contribuiu para o “Silicon Valley”. A Wageningen conta com um ambiente de extrema inovação no mercado agrícola, como Stanford conta para a tecnologia.

Diante de tanta tecnologia desenvolvida nessa faculdade a Holanda é líder na produção de batata e tomate, vale ressaltar que em condições normais eles não iriam crescer no país, devido ao seu clima (muito frio).

O país conseguiu desenvolver a sua produtividade por meio de exemplos práticos. O primeiro seria o quanto de água que se gasta na produção de 1kg de tomate? . A Holanda gasta 8 litros de água, já os Estados Unidos (primeiro colocado nas exportações agrícolas) gasta 160 litros. Segundo exemplo seria a utilização de drones nas fazendas, utilizados para observar e evitar possíveis problemas nas áreas cultivadas. Essas foram duas de inúmeras outras ações que ocorreram para aumentar a produtividade holandesa.

Mas essas pesquisas e inovações não foram responsáveis por tornar a Holanda um líder exportador, muito pelo contrário, ocorreu um problema. Foi identificado que as pesquisas feitas nas faculdades de ponta não chegavam de fato nas mãos dos fazendeiros, ou seja, as inovações não estavam acessíveis aos agricultores em geral. Diante desse problema, o governo holandês obrigou as universidades financiadas a destinar 5% do orçamento para comunicação e divulgação das pesquisas. Houveram também a criação de diversos programas para difundir informações e diminuir essa lacuna entre os pesquisadores e os fazendeiros.

Outras políticas adotadas pelo governo holandês foi um acordo de longo prazo que estipulava a redução de 50% do uso de pesticidas no setor e criar uma condição nos recebimentos dos subsídios que foram atrelados com metas de diminuição de agrotóxicos e sustentabilidade, quem não aderisse a esse plano era retirado do programa de subsídios. Ao longo dos anos essa redução chegou a 85% levando os fazendeiros a se direcionar para prevenção de danos.

As medidas de inovação aplicadas pela faculdade Wageningen levaram ao país, diminuir o gasto de água em mais de 90% e de energia em mais de 50% para produção agrícola, além de aprimorar a qualidade e produtividade das culturas com o impacto mínimo na natureza

Segundo a central de notícias, Deutsche Welle (DW) uma pesquisa feita com o então professor da horticultura da Wageningen University and Research (WUR), centro que realiza pesquisas para a indústria de alimentos holandesa, diz que as fazendas verticais são o caminho a seguir.

"No futuro, teremos fazendas verticais que serão tão altas quanto edifícios e que só usarão luz artificial", diz Marcelis, acrescentando que isso fará com que a agricultura seja completamente independente do clima e completamente confiável.

Diante dos pontos que foram abordados anteriormente, a Holanda foi considerada um país líder na inovação agrícola mundial. Fazendo com que outros países se interessassem pela tecnologia holandesa e isso vire um exportador de tecnologia agrícola.

Com o aumento de produtividade da Holanda, por meio da tecnologia fez com que cada hectare ocupado pelos holandeses arrecadassem cerca de 114 mil dólares, cerca de 100 vezes mais que o valor obtido pelo Brasil por cada hectare.