• José Amaro

Situação atual da dívida externa na Argentina

Atualizado: Fev 25

Dívida externa Argentina, segundo as principais agências de comunicação do mundo.




O que dizem as agências?


Segundo a Associated Press a Argentina disse na segunda-feira que os credores privados aceitaram "maciçamente" uma oferta para reestruturar US $ 65 bilhões em dívidas, o que permite evitar outro calote e confusa batalha legal em tribunais internacionais.

O ministro da Economia, Martín Guzmán, disse que 93,55% dos detentores de títulos aceitaram a oferta e que o país economizará US $ 37,7 bilhões na próxima década.

“A oferta teve uma aceitação massiva por nossos credores como resultados do processo de diálogo que foi estabelecido nos últimos meses”, disse Guzmán durante cerimônia na Casa de Governo.


Ao dissipar os temores de seu terceiro default neste século, a Argentina agora pode tentar reviver sua economia em recessão.


O presidente Alberto Fernández elogiou o acordo, dizendo “temos a tranquilidade de não ter traído a confiança dos argentinos porque fizemos as coisas como dissemos que faríamos. Desta vez a dívida não será paga por quem tem menos. ”


O acordo ocorreu após meses de negociações e mudanças de prazos, e coincidiu com outro período prolongado de miséria econômica na Argentina, onde o desemprego e a inflação são teimosamente altos, e o peso vem caindo há anos. A pandemia piorou as coisas, pois a Argentina impôs um bloqueio que ajudou a conter a disseminação do novo coronavírus, mas paralisou vastos setores da economia.


Enquanto isso no dia 5 de agosto a Reuters divulgou que um fundo de investimento brasileiro administrado pelo Bank of New York Mellon Corp teve que dar baixa em mais da metade do valor de seus ativos devido a perdas em investimentos vinculados à dívida do governo argentino, segundo um depósito de títulos.


O gestor de fundos brasileiro do banco, BNY Mellon DTVM, disse em um documento na segunda-feira que o Fundo de Investimento de Divida Externa (FIDEX) do Brasil Sovereign II havia investido em notas vinculadas a crédito sob gestão anterior em 2011.


“Informamos que devido à suspensão dos pagamentos das notas da dívida externa emitidas pela Argentina que lastreavam essas notas e à necessidade de alterar a metodologia de avaliação de algumas notas da dívida privada da carteira do FIDEX, foram feitas provisões para perdas em 1º de agosto”, o arquivamento disse.


De acordo com o site da Comissão de Valores Mobiliários CVM, os ativos do fundo caíram para 180,5 milhões de reais ($ 79 milhões) em 1º de agosto, de 378,4 milhões de reais no dia anterior, uma queda de 52 por cento.


A Argentina entrou em default em 31 de julho depois de perder uma longa batalha legal com os fundos de hedge que rejeitaram os termos de uma reestruturação da dívida em 2005 e 2010. (US $ 1 = 2,2805 reais) (Relatório de Anthony Boadle; Edição de Ken Wills)


Porém contrariando o suposto prejuízo que o gestor do BNY Mellon DTVM afirma ser inevitável a noticia da agência ANSA diz que o governo da Argentina anunciou nesta terça-feira "A República Argentina e os representantes do Ad Hoc Group of Argentine Bondholders, do Argentina Creditor Committee e do Exchange Bondholder Group e de outros detentores chegaram a um acordo hoje que permitirá aos membros dos três grupos apoiar a proposta de reestruturação do débito da Argentina e oferecerá à República uma redução significativa da sua dívida", diz a nota oficial.


Com base nesse pacto, informa ainda o comunicado, que o país "modificará algumas das datas do pagamento contempladas para os novos títulos na proposta do último dia 6 de julho", mas isso não aumentará "o pagamento total do capital ou de juros que a Argentina se compromete a realizar melhorando, ao mesmo tempo, o valor da proposta para a comunidade de credores" e que, portanto tal prejuízo afirmado pelo gestor de fundos brasileiro não se faz verdade segundo as informações contidas na nota oficial do Governo Argentino.


O Ministério da Economia também ressaltou que, para tornar o acordo efetivo, prorrogará seu "convite" aos credores para negociações, que terminariam nesta terça-feira, até às 17h (hora de Nova York) do dia 24 de agosto.

A data fixada para a entrada em vigor do acordo e da liquidação é 4 de setembro "ou o mais rápido possível após essa data".


Os analistas estimam que, após esses últimos ajustes realizados pelo governo argentino, o acordo foi firmado com base no reconhecimento de um valor médio com os novos títulos de US$ 54,8 para cada 100 de valor nominal dos velhos títulos. No entanto, esses números não foram confirmados.


Segundo a agência de comunicação - Xinhua - o porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gerry Rice, anunciou nesta segunda-feira que o organismo multilateral está preparando uma nova missão à Argentina no início de outubro, com o objetivo de finalizar um programa financeiro para substituir o acordo anterior pelo qual o país deve mais de 44,100 milhões de dólares.


"A equipe do FMI está atualmente trabalhando em planos para realizar o que chamamos de visita da equipe à Argentina a partir do início de outubro", disse Rice durante entrevista coletiva em Washington, embora não tenha confirmado se a reunião será presencial ou virtual.


Segundo disse Rice, a missão terá como objetivo conhecer "os planos econômicos e as prioridades políticas" do governo argentino.

"Nossa abordagem, e das autoridades, é trabalhar em prol de políticas que possam garantir um crescimento sustentável e inclusivo e abordar os desequilíbrios econômicos", disse o porta-voz do FMI.


Afirmou que o FMI mantém um diálogo "muito fluido e construtivo" com as autoridades locais, e que estão a par das últimas medidas cambiais anunciadas pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) que aplicam um imposto adicional de 35 por cento a compra de moeda estrangeira no país sul-americano.


"A Argentina está passando por uma recessão profunda que levou a níveis crescentes de desemprego e pobreza, e desequilíbrios econômicos crescentes, um alto déficit fiscal e inflação, e uma grande diferença entre a taxa de câmbio oficial e não oficial", disse ele.

"O FMI reconhece que o governo argentino tem tentado ativamente enfrentar essas circunstâncias muito desafiadoras", acrescentou Rice.


Ele destacou que ainda não há um prazo determinado para chegar a um novo programa financeiro com o governo argentino e anunciou que pensará em ajudar o país a "cumprir suas necessidades de balanço de pagamentos, inclusive as relacionadas com suas obrigações setoriais oficiais".

Com isso a Argentina sinaliza que está tomando as devidas providências para se livrar das dividas, porém é refém da sua própria história. Apesar da desconfiança do mercado, dos credores e dos investidores a argentina retomando os pagamentos pode ir aos poucos se tornando um bom sinal perante todos.

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